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21.4.09

Wrong

Apesar de ter ganho três prémios por outras tantas curta-metragens durante o curso de cinema, o trabalho de Patrick Daughters começou a ganhar exposição em 2003 com dois videoclips para a banda arty Yeah Yeah Yeahs; Date with the night e Maps. O look destes vídeos encaixava na perfeição numa cena alternativa que começava a emergir em New York. Ainda no mesmo ano, Daughters realizaria um vídeo ao vivo para os The Rapture chamado The Rapture is Live, and Well, in New York City. Desde então tem trabalhado com vários artistas como Kings of Leon, Muse, Beck e The Shins. Destaco alguns clips como 1 2 3 4 para Feist e Plaster Casts Of Everything para os Liars, vídeos premiados; mas também o vídeo que fez para o interprete mainstream Mika, Big Girl (you are beautiful) pela exposição que granjeou Daughters.
Actualmente, o videasta norte-americano está também apostado na criação de anúncios e faz parte do The Director's Bureau ao lado de nomes como Sofia e Roman Coppola.

O vídeo que vos deixo para esta selecção é a resposta do realizador ao single Wrong dos Depeche Mode que lhe confiaram a tarefa de mudar a imagem da banda.


16.4.09

Brush Duet Salt & Peanuts


http://www.youtube.com/watch?v=D-0Ve059ThI

26.2.09

Toda a gente sabe que o video musical é um formato que nasceu com asas, no entanto, é raro vermos um video que faça algum sentido que não seja servir de ilustração/promoção pura à música e à banda. Há não muito tempo tive uma conversa sobre as saudades que os melómanos cinéfilos sentem da dupla Aphex Twin + Chris Cunningham e sobre como a muito recomendável colecção "The work of the director" até parece que podia chamar-se "No tempo em que video musical foi arte: Os bons velhos tempos". Ora, duas ilações posso facilmente tirar. A primeira é que a minha geração tem um problema crónico de nostalgia - eu próprio tenho saudades dos anos 70 sem nunca os ter vivido. A outra é que estamos cada vez mais preguiçosos, tanto a relembrar como a procurar. Se é verdade que já não é tão comum vermos na nossa televisão a mesma quantidade de bons vídeos como dantes, também é verdade que eles ainda existem. E há ainda uma verdade mais obscura que vos quero lembrar: a maior parte dos videos musicais realizados sempre foram uma montanha de lixo. Esta verdade tende a esquecer quem cresceu a ouvir o Tricky, o Aphex Twin e os Radiohead, Massive Attack, Daft Punk e por aí fora, apenas por estarem mal habituados.
Estando assente este ponto, proponho-me a mostrar-vos alguns dos que considero os melhores videos dos ultimos anos.

16.9.08

Para levar para casa

Les Concerts à Emporter é um videocast que está à nossa disposição na Blogotheque, criados por Chryde e Vincent Moon (jurí do IMAGO deste ano com direito a retrospectiva).
A essência destes trabalhos é captar uma banda ou artista em performance intimista, fora dos palcos, num qualquer quotidiano, seja uma rua, um bar, um apartamento vazio, um autocarro ou um elevador. A produção e edição são reduzidos ao mínimo, o som é directo e a camera está preferencialmente a balançar nas mãos do realizador entre os elementos das bandas e o ambiente que os rodeia. Nestes "concertos para levar" é abundante termos um take para cada música. Moon, que marcou a estética foi movido pelo desejo de filmar música de um modo "anti-MTV", farto da lógica de planos com um segundo sequenciando-se frenéticamente.
Numa altura em que tanto se fala da mega-produção que foi o concerto de Madonna no Parque da Bela Vista, desafio-vos a deixarem-se conquistar pela música sem grandes artifícios numa lógica que quer aproximar os artistas dos seus fans. É também uma excelente oportunidade para conhecer alguns bons valores da música alternativa mundial.
Os vídeos são feitos sem fins lucrativos tanto para os realizadores como para as bandas é possivel fazer-se o download gratuito.

26.8.08

Arte "casual"

Para primeiro post no "Arte às tantas" pensei em muita coisa, muitos poderiam ser os objectos de fascínio para abordar. Ultimamente tenho pensado na casualidade da arte.
De quando em vez, fazemos arte casualmente, não por acaso. Uma criação pode ser instintiva, casual, cheia de sentido e definitiva, tudo isto ao mesmo tempo. Enquanto ia tecendo teias de possibilidades sobre esta realidade encontrei uma entrevista com Thom Yorke, compositor, letrista e vocalista dos Radiohead, em que abordava uma das minhas obras de arte preferidas: a música "Nude" (do álbum "In Rainbows"). Dizia ele que era uma música com mais de dez anos que havia sido preterida na escolha de alinhamento de "OK Computer", no entanto sentira que chegara a hora de convencer a banda a respescá-la pois a letra já fazia sentido, embora não tenha alterado uma palavra.
Note-se que Thom Yorke desde há uns anos usa uma, perdoem-me a expressão, poética paisagista que ganhou a minha admiração pela sua fragilidade. A sua voz é tão frágil quanto a sua escrita, ou as duas são a mesma fragilidade. Thom não é um "bom cantor", nem um brilhante letrista, procurando palavras casualmente e colando-as com instintos. Mas é um verdadeiro artista e um arrepiante intérprete de si mesmo.

*vídeo de Nude (excerto do vídeo Sotch Mist)

Ouçam muito, mas com cuidado...

Na minha primeira contribuição no Blog deixo um artigo que considero muito pertinente, especialmente quando parece que há um sentimento geral de quanto mais alto melhor no que toca ao som, a malta de hoje em dia já não sai de casa sem o iPOD e as discotecas são verdadeiros cancros para a audição humana.

O artigo pode ser um pouco denso para alguns, mas quem quiser ficar com uma pequena ideia de como o nosso ouvido funciona pode partir daqui, o assunto é abordado de um modo mais direccionado ao uso de headphones mas também aborda os princípios gerais.

Link.